Botafogo

Helena Santos Marques

Aqui as pessoas são mais hostis a tudo. Cada um segue sua vida.

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No século 16, o português João Pereira de Sousa Botafogo estabeleceu uma fazenda ao longo da linda enseada de águas plácidas entre o Morro da Viúva e a Urca. Foi assim que a região começou a ser chamada de Botafogo. Com a chegada da corte portuguesa, em 1808, a nobreza – inclusive a própria Carlota Joaquina – construiu mansões à beira mar. Aos poucos, Botafogo tornou-se uma vizinhança de elite, ocupada por palacetes de aristocratas, fazendeiros e ricos comerciantes.
Muitas dessas casas permanecem lá, transformadas em consulados, escolas, empresas e instituições culturais. No século 19, a inauguração de ligações marítimas com o Centro e o Caju aceleram a ocupação do bairro por imigrantes, operários e pequenos comerciantes. Surgiram nessa época as muitas vilas operárias do bairro, hoje disputadas para moradia.
Em 1868, os primeiros bondes puxados a burro levam os moradores ao Centro; em 1892, a abertura do Túnel Velho possibilita a chegada a Copacabana. Começava a se desenhar o futuro de Botafogo, que passaria a ser uma importante rota de passagem para as praias oceânicas do Rio e a Lagoa.
O bairro teve grande crescimento imobiliário no século 20. Em 2010, o Censo contou lá quase 83 mil habitantes e 39 mil domicílios, dos quais a grande maioria (26 mil) formada por apartamentos. Um dos atrativos do bairro é a oferta de serviços: estão lá muitas das escolas mais tradicionais da cidade, centros universitários e de pesquisa como a Fundação Getúlio Vargas, hospitais de referência, mercados, shoppings, restaurantes e cinemas. Um dos mais queridos e tradicionais times do futebol carioca, o Botafogo F.C. mantém lá a sua sede.
O cemitério São João Batista, primeiro a aceitar várias classes sociais, é um marco histórico, com seus ricos jazigos e modestos túmulos. Fora dos seus muros, os ocupantes de prédios de luxo convivem com a vizinhança da favela Santa Marta, no Morro Dona Marta. Iniciada no início do século 20, a comunidade é uma das mais estruturadas no Rio, contando com um plano inclinado. É também das mais famosas. Cenário de livros e filmes, em 1996 a favela foi cenário da filmagem de um clipe do astro pop Michael Jackson. Foi a primeira das favelas cariocas a receber o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), em dezembro de 2008.